11 – Livro – As Esganadas

Já começo dizendo que Jô Soares perdeu a mão nesse livro…

Cai na besteira de ver algumas críticas enquanto lia o livro e talvez isso tenha me influenciado, mas vou tentar expor alguns fatos para que você possa se decidir.

Brasil, Rio de Janeiro década de 30. Rio de Janeiro ainda é a capital do país. Caronte é dono da Funerária Estige, a funerária mais foda do país na década de 30 ao melhor estilo europeu. O negócio foi herdado de seu pai, do qual era sócio, e assim vem sendo desde muito tempo atrás.

Caronte passou o começo da vida adulta na Europa, estudando as mais avançadas técnicas inerentes ao seu negócio. Seu pai também teve grande influencia na evolução do processo de embalsamento. Por isso a funerária é a melhor do Rio e do país.

Já em sua vida pessoal, Caronte não é tão foda assim… quer dizer, é, mas no mal sentido. Ele é um serial killer. Sua primeira vítima foi sua mãe, e foi ela quem fez despertar em Caronte o vício por seu “ofício paralelo”.

A mãe do garoto era exímia cozinheira, gorda de tudo, enchia o cú de comida até não poder mais, mas mantinha regrada a dieta do filho, com a preocupação que este ficasse tao obeso quanto ela. Sendo assim, Caronte era magro feito Giselle (vocês viram que ela se aposentou??)

Até o dia que o garoto cansou de comer escondido e enquanto sua mãe fazia mais uma de suas iguarias portuguesas (suas favoritas) o garoto foi lá e passou o toco nela, fez a véia cair “dis costas” no chão, bater a cabeça na quina do forno e morrer em seguida. Tal ato foi tão prazeroso que o garoto não conseguiu conter um orgasmo, enquanto provava o conteúdo da panela que se juntou ao sangue de sua mãe quando tudo foi pelos ares. A morte foi considerada acidental e agora o garoto franzino era libre pra comer tudo o que quisesse.

Depois da morte da mãe, Caronte, começa a ver seu rosto em toda gordinha que vê na rua. Ele as odeia, pois vê em todas as o rosto da véia, e logo lembra de sua traumática e dietética infância. Por conta disso começa a crescer uma fixação por matá-las (o que para ele seria, matar sua mãe, de novo e de novo).

Durante sua temporada na Europa, Caronte descobriu que tinha no gene uma paixão pela culinária e se descobriu um exímio cozinheiro e é desta forma que vai novamente matar sua mãe em cada mulher gorda que matar.

A forma que ele as ludibria é a seguinte: usa seu carro funerário como vitrine para os tradicionais doces portugueses que aprendeu a fazer fica parado em locais estratégicos com uma placa de “Degustação grátis”, depois de ter estudado a rotina de sua vítima, quando essa chega para provar os doces, ele utiliza um pano com clorofórmio para render a vítima, a leva para seu matadouro e faz o serviço. Depois a deixa em algum local público, de forma enigmática para que a polícia a encontre.

Ironia do destino, todas elas, de alguma forma, acabam sendo veladas aonde???

Enfim, tendo o perfil do assassino traçado vamos continuar (tá acabando).

Caronte mata um monte de mulher gorda da forma como disse acima, e a polícia está tentando encontrar algo que os coloquem na trilha do assassino, aqui temos um outro núcleo que “faz a história andar” até a conclusão.

Obviamente são poucos personagens, o que permite que cada um deles tenha uma personalidade própria e que essa personalidade seja mostrada e acompanhada durante a história além de essas personalidades sejam simpáticas e divertidas de acompanhar.

Jô Soares escreveu esse romance com foco diferente desta vez, ao leitor, é apresentado o assassino, o motivo do crime e como ele escapa todas as vezes. O que nos prende na história é a curiosidade de saber como que a polícia vai pegar o bandido.

E o livro é legal, engraçado, como sempre, mas honestamente, o fim não justifica os meios… talvez, justamente pelo leitor já tomar ciência de tudo logo de início, não há expectativa para criar e surpresa para acontecer, vamos simplesmente acompanhar a história…

Mas vale a leitura, principalmente pela habilidade de Jô Soares em inserir ficção a fatos históricos reais, por retratar e descrever uma época que, pelo menos pra mim, é muito interessante de nosso país e pelo livro ser curto, então você não vai desperdiçar muito tempo…

PS: uma coisa não ficou muito clara para mim, e acabei escrevendo desta forma também… não é possível saber em que momento da vida Caronte matou sua mãe, se ainda na infância ou na adolescência.

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